" Conheci o Joana, José Carlos Joana, há cerca de três ou quatro anos. Nesses anos, duas a três vezes por semana, compartilhamos nossas dificuldades individuais no aprendizado de Aikido.
Lembro de sua mão encolhida quando começou. "Abra sua mão, Joana, você tem que expandí-la..." era uma das coisas que ouviu muito no início. Ainda ouvia recentemente broncas do sensei, sobre encolher os braços.
Tinha também seu mae-ukemi, que raramente cumpria seu trajeto. Mas ele persistiu e melhorou a cada dia, a cada treino. Eu invejava cada vez mais suas quedas. Sem dúvida alguma, graças a sua habilidade e desenvolvimento, ele tinha a honra de servir de uke em quase todos os treinos da manhã.
Quando ele não vinha _ estava sempre a viajar _ o Silveira Sensei me pegava para uke. Ele acha que isso para mim é um martírio, um castigo. Muito pelo contrário. A responsabilidade de ser um uke, para que os demais praticantes vejam bem a técnica, é enorme. Um dos meus desejos é ser reconhecido por ser um bom uke, o que, repito, era feito muito bem pelo Joana. Quando ele não estava e eu era escolhido, uma das coisas que pensava é quando eu seria capaz de cair como ele. Porém, ainda preciso treinar e melhorar muito.
Enchíamos o saco dele em função de suas pesquisas e leituras sobre temas exóticos como Ufologia. Quando ele voltava de uma viagem de negócios, insistíamos que ele tinha na verdade era ido para Machu Pichu ou algum outro lugar extravagante, cheirado, fumado ou injetado muito. Ríamos muito com ele em nossas manhãs, principalmente sobre ele ter sido abdusido.
Bom, parece que chegou a hora de ele alçar voos mais altos, aqueles que todos nós faremos um dia. Agora só nos resta a saudade, o profundo respeito que devemos ter por sua pessoa, as lembranças, o exemplo de perseverança. Que lembremos sempre do ser humano que ele foi, um exemplo para os amigos e motivo de honra e orgulho para todos nós, amigos e familiares.
Todos temos nossas dificuldades, na arte do Aikido, na arte da vida. O modo como o Joana lidava com as suas no tatami era exemplar. Certamente também o era para a vida. Um exemplo a ser seguido.
Na verdade quero cair muito melhor que ele. Porém, quando considerar que estou caindo como ele, ficarei mais que extremamente feliz.
Do amigo,
Ivo "  | Vejo o Joana como uma pessoa que cumpriu seu papel na terra e foi agraciado com a graduação máxima da vida, partindo dessa para, com certeza, uma melhor, onde somente pessoas com o grau de elevação espiritual dele podem alcançar.
Temos dificuldade em aceitar o que aconteceu com esse nosso amigo, mas tenho certeza que se pensarmos em tudo que aprendemos com ele nesse tão curto espaço de tempo veremos que a missão dele já estava mais do que cumprida!
Meus sentimentos aos familiares e amigos e saudades do grande companheiro de treino que sempre nos rendia boas horas de descontração, como as diversas vezes com suas camisas pólo embaixo do dogi, ou com sua faixa de roupão amarrando seu dogi.
Com imenso pesar,
Grillo. |
 | Passei um tempo assimilando o ocorrido com nosso querido amigo e aluno Carlos Joana... Exatos 2 dias antes, falávamos sobre o nosso lugar após a jornada na terra (.) Ele disse: - Eu sei muito bem para onde eu vou... E assim foi...Nos encontraremos um dia, meu amigo... mas não agora.... Marcelo sensei. |
| |